Revolução Francesa – Esquemas de Aula

Prezados alunos, conforme prometido, posto aqui as minhas aulas de Revolução Francesa com todo o material. Não se esqueçam que nos focaremos em 3 aspectos somente da Revolução:
  1. Causas
  2. Soberania Popular
  3. Período do Terror
É isso. Bom proveito.
Revolução Francesa – Século XVIII (1789)

Sua Significação

  • Destruição do Absolutismo e do Feudalismo na França
  • Construção de uma Nova Ordem Política, Econômica e Social, baseada no Capitalismo e no Poder da Burguesia.

Antecedentes da França Revolucionária (Antigo Regime)

  • Sistema Político = Absolutismo Monárquico
  • Sistema Econômico = Feudalismo
  • Sociedade = Estamental (com pouca mobilidade social)

Causas da Revolução Francesa

  • Contradições entre as atividades Capitalistas em crescimento e a permanência de relações Feudais de produção, que impedia uma maior expansão da economia e desenvolvimento da Burguesia.
  • Excessiva intervenção do Estado em assuntos de ordem econômica, com práticas mercantilistas restritivas, impedindo o avanço do liberalismo econômico.
  • Aumento da divida pública do país, agravado por extravagantes gastos reais e por guerras constantes e desastrosas, como a Guerra dos Sete Anos (1756-63) e a Guerra de Independência das Treze Colônias, ambas contra a Inglaterra.
  • Excessiva cobrança de impostos sobre o Terceiro Estado: às vésperas da Revolução os camponeses pagavam cerca de 80% de suas rendas em impostos.
  • Contato com Ideais Revolucionários, seja pela Revolução Americana de 1776, seja pelo próprio florescimento de ideais do Iluminismo.
  • Profunda insatisfação das massas populares por causa da miséria: em 1788-1789 os trabalhadores urbanos utilizavam 88% de seus salários apenas para adquirir o pão, alimento básico na França.
Causas da Revolução Francesa

Um Depoimento

Cerca de oito meses antes do início do processo revolucionário, o historiador Jacques Sole identificou a situação geral da população mais pobre da França:

“Mal nutrida, empobrecida, descontente com os direitos e impostos que tinha de pagar, a população francesa achava-se em estado de sublevação constante. Pensava, sobretudo, como de hábito, em controlar a circulação dos cereais e fixar o preço do pão. Motins em panificações e celeiros estouravam por todo o país, antes de aparecerem em Paris.”

Diagramas e Gráficos – Finanças, Sociedade e Impostos Camponeses

  • Com a situação social e econômica insustentável e sem recursos para continuar funcionando, o Estado Francês, através de Luís XVI, toma medidas para conter o rombo econômico.
  • Turgot, Necker e Calonne, ministros das Finanças de Luís XVI, aconselhavam duas medidas para resolver o problema:
    • Aumento da cobrança de Impostos.
    • Retirada de parte dos privilégios do Clero e da Nobreza, que, a partir de então, também deveriam ajudar a financiar o Estado e arcar com parte da carga tributária.
  • Tais medidas criaram um impasse:
    • De um lado, o Clero e a Nobreza não tinham qualquer disposição de abrir mão dos seus privilégios, mesmo que o tesouro real não dispusesse de recursos e já tivesse praticamente esgotado todas as opções de obtê-los.
    • Por outro, os diferentes setores da burguesia, os trabalhadores urbanos e camponeses que compunham o Terceiro Estado, não pretendiam arcar com mais tributos sem que a estrutura do Estado Francês fosse alterada, garantindo-lhes os meios institucionais para a efetiva participação nas decisões políticas.
  • Diante dessas dificuldades que inviabilizavam qualquer solução tomada pela corte, Luís XVI, após muita hesitação, convocou os Estados Gerais em julho de 1788 – uma assembléia que reunia representantes dos três Estados, cuja última reunião ocorrera em 1614.
  • Seu objetivo era discutir a situação da economia nacional e selar um amplo acordo que resolvesse os problemas financeiros e as crises da França.

A Revolução e suas Fases

FASE 1: Os Estados Gerais (1789)

  • Eleição dos deputados representantes de cada Estado entre julho de 1788 até maio de 1789.
  • Clero e Nobreza lutam pela manutenção de seus privilégios e contra as propostas transformadoras da Burguesia.
  • O Terceiro Estado reivindica mudanças na estrutura política e econômica do Antigo Regime, na tentativa de adquirir direitos políticos e transformações nas estruturas econômicas.
  • Reunião dos Estados Gerais em 5 de maio de 1789.
  • Tensa disputa política entre nobreza, clero e burguesia.
  • Impasse sobre deliberações:
    • Voto por Estado – como era comum na Assembléia dos Estados Gerais, as decisões seriam tomadas por Estado, tendo cada um apenas um voto. Dessa forma, o Terceiro Estado sempre seria voto vencido, uma que o Clero e a Nobreza tentariam proteger seus privilégios, todas as decisões teriam o mesmo resultado: 2 votos (Clero e Nobreza) contra 1 (Terceiro Estado)
    • Voto por cabeça – Os burgueses reivindicavam que a bancada do Terceiro Estado tivesse o maior número de membros, já que quase a totalidade da população francesa pertencia àquele estamento social. Certo de que os votos se dariam por Estado e não por meio de votos individuais dos representantes, Luis XVI cedeu às pressões da burguesia e permitiu que fossem eleitos 610 deputados para compor a bancada do Terceiro Estado.
  • Única forma do Terceiro Estado alcançar a vitória nas votações das propostas de seus interesses seria alterar a forma de votação, que deveria ser tomada por cabeça e não por estamento social.
  • Todavia, o Primeiro (Clero) e Segundo (Nobreza) Estados não aceitavam de forma alguma a mudança no velho modelo de votação.
  • O impasse leva o Terceiro Estado a recusar a votação dos Estados Gerais e a se proclamarem em Assembléia Nacional.

ATENÇÃO! Leia o texto de Sieyès, político e eclesiasta francês à época da revolução, e veja como o mesmo fundamenta o deslocamento da soberania do Rei para o povo:

Que é o Terceiro Estado?

“Que é o Terceiro Estado? Tudo. Que tem sido até agora na ordem política? Nada. Que deseja? Vir a ser alguma coisa… O Terceiro Estado forma em todos os setores os dezenove/vinte avos, com a diferença de que ele é encarregado de tudo o que existe de verdadeiramente penoso, de todos os trabalhos que a ordem privilegiada se recusa a cumprir. Os lugares lucrativos e honoríficos são ocupados pelos membros da ordem privilegiada… Quem, portanto, ousaria dizer que o Terceiro Estado não tem em si tudo o que é necessário para formar uma nação completa? Ele é o homem forte e robusto que tem um dos braços ainda acorrentado. Se suprimíssemos a ordem privilegiada, a nação não seria algo de menos e sim alguma coisa mais. Assim, que é o Terceiro Estado? Tudo, mas um tudo livre e florescente. Nada pode caminhar sem ele, tudo iria infinitamente melhor sem os outros… Uma espécie de confraternidade faz com que os nobres dêem preferência a si mesmos para tudo, em relação ao resto da nação. A usurpação é completa, eles verdadeiramente reinam… É a Corte que tem reinado e não o monarca. É a Corte que faz e desfaz, convoca e demite os ministros, cria e distribui lugares, etc. Também o povo acostumou-se a separar nos seus murmúrios o monarca dos impulsionadores do poder. Ele sempre encarou o rei como um homem tão enganado e de tal maneira indefeso em meio a uma Corte ativa e todo-poderosa, que jamais pensou em culpá-lo de todo o mal que se faz em seu nome.” (SIEYÈS. Que é o Terceiro Estado? 1789)

FASE 2: Monarquia Constitucional (1789-1792)

  • Formação da Assembléia Nacional Constituinte em 9 de julho (1789-1791)
    • Caracterizada pela conciliação entre os interesses da alta burguesia e da nobreza progressista (togada).
  • Objetivos
    • Limitar o poder monárquico.
    • Excluir as massas populares da participação política. (O voto censitário)
    • Instalar um Estado segundo os princípios do liberalismo. (liberdade econômica e defesa da propriedade privada)
  • Principais acontecimentos
    • Tentativa de Reação da Nobreza e da Corte contra a Assembléia Nacional.
    • Levante em Paris e tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789.
    • O “Grande Medo” – camponeses invadem castelos da nobreza feudal e executam famílias inteiras.
  • Principais medidas da Assembléia Nacional Constituinte
    • Abolição dos direitos feudais, mas com indenização dos senhores.
    • Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão (26 de agosto de 1789).
    • Promulgação da Constituição de 1791, onde a França passava a ser uma Monarquia Constitucional.
  • Principais Problemas
    • Agravamento da Crise Econômica.
    • Possibilidade de uma contra-revolução aristocrática interna e ameaça estrangeira (estimulada pelo próprio rei e pela nobreza emigrada).
    • Insatisfação como o critério censitário da Constituição, que dividiria os cidadãos em ativos (com renda e, portanto, com direitos políticos) e passivos (sem renda e, portanto, sem direitos políticos).

IMPORTANTE!

  • Este é um dos momentos decisivos da revolução, pois se realiza a mudança de soberania, que deixa de se identificar com a pessoa do rei e passa a residir na representação da nação, no povo.
  • Importante também é a abolição dos direitos feudais e o fortalecimento de uma ordem burguesa e capitalista de produção, onde as diferenças sociais passam a ser justificadas pela propriedade, não mais pelo nascimento.
  • Essa parte da revolução é essencialmente: individualista, liberal e antinobiliária (contra a nobreza).

FASE 3: Convenção Nacional – República (1792-1795)

1. Aumento das Crises (Os Fatos)

  • Possibilidade de Contra-Revolução (interna e externa)
    • Nobreza Emigrada + Luis XVI = tentativa de restaurar o Absolutismo e esmagar a Revolução.
  • Rei tenta fugir (junho/1791), com a família real, disfarçados de camponeses. São presos em Varennes pela Assembléia Nacional, mas recebem o perdão.
  • França declara guerra à Áustria e à Prússia (recusa de garantias de soberania ao estado revolucionário francês).
    • Luis XVI e Maria Antonieta passam a fornecer para os espiões inimigos todas as informações estratégicas sobre os exércitos franceses
    • Duras derrotas da Guarda Nacional devido à sabotagem dos generais (defensores da antiga ordem)
    • Ultimato do General prussiano Brunswick, que exigia o fim da resistência revolucionária e a garantia da integridade física da família real.
  • 9 de agosto de 1792 – Guarda Nacional + levante popular = invasão do palácio de Tulherias e prisão da família real.

2. Conseqüências

  • 22 de setembro de 1792
    • Abolição da Monarquia Constitucional
    • Proclamação da República
    • A Assembléia Nacional passa a se chamar Convenção
    • A Convenção passa a ser eleita por voto universal masculino (todos os homens podem votar independente de sua renda)
  • 21 de janeiro de 1793
    • Família Real Francesa é guilhotinada

3. Tensões dos Grupos Políticos na Convenção

Dois Grupos disputavam entre si o controle da nova República Francesa:

Girondinos (Planície)

  • Grupo mais moderado
  • Representantes de setores burgueses mais enriquecidos
  • Defensores da Monarquia Constitucional
  • Contra a Execução de Luis XVI
  • A favor do voto censitário (baseado na renda)
  • Favoráveis à Guerra Externa
Jacobinos (Montanha)

  • Grupo mais Radical
  • Representantes da pequena burguesia e dos sans-cullotes (trabalhadores da cidade e grupos marginalizados)
  • Defensores da República Democrática (com direitos ampliados)
  • A favor da Execução de Luis XVI sem julgamento
  • Contra o voto censitário, a favor do voto universal masculino
  • Contra à Guerra Externa
4. República Girondina (setembro de 1792-junho de 1793)

Características

  • Incapazes de suprir as necessidades do país
  • Inseguros na condução da Guerra com as forças reacionárias absolutistas
  • Incapazes de conter a especulação financeira e os altos preços dos alimentos
  • São derrubados pelos Jacobinos e os sans-cullotes

5. República Jacobina (2 de junho de 1793-27 de julho de 1794)


Características
  • Aprofunda e radicaliza o processo revolucionário
  • Criação do Tribunal Revolucionário (Comitê de Salvação Pública)
  • Instauração de uma Nova Constituição (1793), que estabelece:
    • Abolição da Escravidão nas colônias
    • Obrigatoriedade do ensino público e gratuito
    • A Lei do Máximo (tabelando os preços dos salários e alimentos)
    • Confisco os bens da nobreza emigrada (Reforma Agrária)
    • Fim das indenizações dos camponeses aos antigos senhores
    • Organização de um Exército Revolucionário Popular (que liquida a ameaça estrangeira)
    • Voto Universal Masculino
  • Política do Terror – Medidas revolucionárias jacobinas são sustentadas através da execução em massa dos contra-revolucionários, entre eles:
    • Girondinos contra-revolucionários
    • Nobreza emigrada e defensores do Antigo Regime
    • Açambarcadores (aproveitadores e especuladores)
  • Tais ações foram conduzidas em grande parte por Maximilien Robespierre, líder dos jacobinos na Convenção e Chefe do Comitê de Salvação Pública.
  • 27 de julho de 1794 (9 de Termidor)Reação Termidoriana = alta burguesia, amedrontada com a crescente radicalização do processo revolucionário e com os excessos do terror, põe fim à experiência democrático-igualitária dos Jacobinos. Robespierre e seus partidários são executados.

ATENÇÃO! Leia abaixo o texto do filósofo Slavoj Zizek e sua leitura do período do terror da Revolução Francesa (República Jacobina):

Virtude e Terror

“Alguns tentam retirar da Revolução Francesa o seu caráter fundador da democracia moderna, tratando-a como uma anomalia (um evento absurdo) da história: houve uma necessidade histórica de afirmar os princípios modernos da liberdade pessoal, mas, como prova o exemplo inglês (a Revolução Gloriosa), isso talvez pudesse ser conseguido de modo muito mais efetivo por uma forma mais pacífica. Entretanto, para os radicais, se você diz A – igualdade, liberdades e direitos humanos –, não devemos fugir de suas conseqüências, mas é preciso reunir coragem para dizer B – o terror realmente precisou defender e afirmar A.”  (Slavoj Zikek. Robespierre: virtude e terror. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 2008.)

IMPORTANTE!

  • A República Jacobina é a fase da ampliação de direitos e a mais democrática da revolução, entretanto tal fase teve que ser sustentada pelo uso do Terror.
  • A reação termidoriana representa o momento de contenção da fase radical da revolução.

35 comentários sobre “Revolução Francesa – Esquemas de Aula

  1. oi professor
    hoje na sala voce passou uma transferencia que era um texto sobre o 3 estado e eu queria saber quando voce ira pastar o texto no seu site
    grata
    Bruna

    1. Lucas, o mais importante a ser compreendido é que algumas causas são mais importantes do que outras. Os problemas financeiros franceses são o principal problema. É por causa deles que o Rei Luis XVI convoca a reunião dos Estados Gerais que depois leva o Terceiro Estado à formação da Assembléia Nacional. Depois me procure. Abraços.

    1. As principal causa é o conflito existente entre o Parlamento (controlado pela Burguesia) e o Absolutismo Monárquico dos Reis Stuarts. A Burguesia quer ver seus interesses protegidos (livre comércio, liberdade religiosa) e os Stuarts querem exercer seu poder de forma absoluta (taxando mais impostos, obrigando todos a seguirem a religião do estado ingles, que é a anglicana). Esse conflito acaba gerando a revolução.

  2. Professor,deepois da Revolução Francesa,como ficou a organização da sociedade?
    Lii alguns textos aqui,e ”descobri” que houve mudança na organizaçõa politica,onde o governo passa de absolutista para república. E no caso quem comanda a republica? O terceiro estado?

    1. O Mercantilismo se opõe ao Liberalismo. No mercantilismo existe a intervenção direta do estado na esfera econômica. Suas principais características são: proteção alfandegária (cobrança de impostos para mercadorias que entram no país para proteção do mercado interno), balança comercial favorável (é preciso vender mais do que comprar), metalismo (necessidade de acumulação de metais), regulação da economia pelo estado. Já o liberalismo, que tomou mais força a partir do século XVIII com Adam Smith, é proposto que o estado não interfira muito na economia, fazendo com que haja total liberdade de comércio, sem taxas de importação ou qualquer tipo de regulação.

  3. o texto me ajudou muuuuuuu[…]ito pra prova de amanha, professor. ótima ideia do blog, alias todos os professores deviam adquiri-la. Beijos.

    1. É Revolução Francesa, não revolta. Lembre-se que estes dois conceitos são muito diferentes. Sendo que a Revolução é um acontecimento radical, de amplo apoio popular, violento e que destrói um antiga ordem e cria uma nova. Em uma revolta não existe amplo apoio popular, pode ou não existir violência, e suas reivindicações são localizadas e pontuais, não questionam a estrutura fundamental da sociedade.

      A principal dificuldade do Governo de Luís XVI, fato que levou à Revolução (mas não apenas este), foi os problemas financeiros.

  4. prof. ve se eu to certo
    a revolta francesa e quando o (povo quis seus direitos melhorias) sobre os estados 1 e 2??(clero e nobresa)
    e os estados nao quis dar seus lucros ao 3 estado.
    intao aconteceu uma revolta do 3 estado (porque quiriao o seus direitos, pois era a maioria da povuacao)
    e isso mesmo professor??

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